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Válvula de uretra posterior: por que alguns bebês precisam usar sonda após uma infecção urinária?

Publicado em 6 de julho de 2026

A internação de um bebê após uma infecção urinária costuma gerar muitas dúvidas e preocupações para a família. Quando a criança precisa permanecer com uma sonda urinária, uma das perguntas mais frequentes é: o que está impedindo a urina de sair normalmente?

Em alguns meninos, a resposta está relacionada a uma condição congênita chamada válvula de uretra posterior.

O que é a válvula de uretra posterior?

A válvula de uretra posterior é uma alteração presente desde o nascimento e ocorre exclusivamente em meninos. Essa membrana funciona como uma barreira dentro da uretra, dificultando a saída adequada da urina.

Como consequência, a bexiga precisa fazer mais força para eliminar a urina. Com o tempo, o aumento da pressão pode atingir os ureteres e os rins.

Além disso, a obstrução favorece infecções urinárias recorrentes. Em alguns casos, ela também compromete a função renal.

Por que alguns bebês precisam permanecer com sonda?

Quando a criança apresenta uma infecção urinária grave associada à obstrução urinária, o primeiro objetivo é proteger o sistema urinário e controlar a infecção.

Por isso, os médicos podem indicar uma sonda urinária temporária. Ela permite o esvaziamento adequado da bexiga e reduz a pressão exercida sobre os rins.

Dessa forma, conseguimos estabilizar o quadro clínico. Em seguida, planejamos o tratamento definitivo.

Como realizamos a cirurgia?

Após o controle do quadro clínico, realizamos a correção da válvula de uretra posterior por meio de um procedimento endoscópico minimamente invasivo. A cirurgia ocorreu no Hospital de Cirurgia, em Aracaju, sob anestesia geral.

Em seguida, introduzimos uma câmera extremamente fina pelo próprio canal da urina, sem a necessidade de cortes externos.

Depois de localizar a válvula, realizamos pequenas incisões controladas. Dessa forma, restabelecemos a passagem adequada da urina e reduzimos a pressão exercida sobre a bexiga e os rins. Confira no vídeo abaixo.

 

O acompanhamento continua após a cirurgia

A correção cirúrgica é uma etapa importante do tratamento. No entanto, o acompanhamento não termina após o procedimento.

Essas crianças precisam de avaliações periódicas para monitorar o funcionamento da bexiga, prevenir novas infecções urinárias e acompanhar a saúde dos rins ao longo do crescimento.

Além disso, exames de imagem e avaliações especializadas ajudam a identificar precocemente qualquer alteração que exija atenção.

Quando procurar um urologista pediátrico?

Alguns sinais merecem investigação especializada, especialmente quando estão associados a infecções urinárias ou alterações do trato urinário.

Entre eles estão:

  • -infecções urinárias recorrentes;
  • -alterações identificadas durante a gestação;
  • -dificuldade para urinar;
  • -alterações nos rins observadas em exames de imagem;
  • -necessidade de uso prolongado de sonda urinária.

Por isso, diante de qualquer suspeita, a avaliação com um urologista pediátrico é fundamental para definir o diagnóstico e o tratamento mais adequado.

Cuidado baseado em ciência e acompanhamento contínuo

O diagnóstico da válvula de uretra posterior pode causar preocupação nos pais. No entanto, o tratamento adequado e o acompanhamento especializado permitem controlar a obstrução e proteger a função urinária e renal da criança.

O tratamento desse bebê de 10 meses reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento especializado. Quando identificamos a válvula de uretra posterior no momento adequado, conseguimos tratar a obstrução e reduzir o risco de danos permanentes ao sistema urinário.

Por isso, o diagnóstico precoce faz toda a diferença. Quanto mais cedo a condição é identificada, maiores são as chances de preservar a saúde dos rins e proporcionar uma melhor qualidade de vida ao paciente.

Seu filho recebeu esse diagnóstico? Procure uma avaliação em Urologia Pediátrica.

O atendimento pode ser realizado pelo SUS, no Hospital de Cirurgia, mediante encaminhamento e regulação, ou pela rede privada, no Hospital São Lucas.


FQL Uroprime – Ciência é com humanidade. E decisão é com segurança.

Conteúdo educativo. Não substitui consulta médica.
Dr. Fábio Quintiliano | Médico – CRM-SE 2990
Urologia (RQE 2638) • Instrutor de Cirurgia Robótica (Adulto & Pediátrica)
Chefe do Serviço – Hospital São Lucas (Rede D’Or)

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