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Da Vinci 360 LATAM: o que aprendi sobre o futuro da cirurgia robótica
Publicado em 27 de outubro de 2026
Participar do Da Vinci 360 LATAM 2026 foi uma oportunidade de acompanhar de perto a evolução da cirurgia robótica.
Realizado em São Paulo pela Strattner, em colaboração com a Intuitive Surgical, o encontro reuniu líderes clínicos, executivos hospitalares e especialistas. Também participaram profissionais envolvidos diretamente no desenvolvimento dos programas de cirurgia robótica na América Latina.
Mais do que apresentar tendências, a proposta foi discutir experiências reais. O objetivo também foi compreender como transformá-las em estratégias aplicáveis à prática.
Para mim, participar desse encontro teve um significado ainda maior.
Minha trajetória na cirurgia robótica não está ligada apenas à realização de procedimentos. Também atuo na formação de outros cirurgiões. Por isso, a atualização é uma parte fundamental da minha prática.
Quando ensinamos, precisamos compreender como uma tecnologia funciona. Além disso, devemos saber quando utilizá-la, quais são suas possibilidades e quais decisões podem fazer diferença em cada caso.
Um olhar diferente sobre o da Vinci 5

Um dos grandes destaques do encontro foi o da Vinci 5, a nova geração da plataforma robótica.
O que mais me chamou a atenção foi a evolução da integração entre o cirurgião, os instrumentos e as informações produzidas durante a cirurgia.
Um exemplo importante é o Force Feedback. Essa tecnologia permite ao cirurgião perceber, por meio dos controles, forças de tração e compressão exercidas pelos instrumentos sobre os tecidos.
Para isso, o sistema utiliza sensores próximos à ponta dos instrumentos. Eles transmitem essas informações ao cirurgião durante o procedimento.
Para quem já trabalha com cirurgia robótica, essa mudança é particularmente interessante.
A cirurgia robótica sempre ofereceu grande capacidade de visualização, precisão e controle dos movimentos. Agora, o da Vinci 5 acrescenta novas formas de percepção e informação ao processo.
Além disso, a plataforma apresenta melhorias na visualização 3D, no processamento de imagem e nos recursos computacionais.
Outro aspecto que merece atenção é a capacidade de evolução da plataforma por meio de software e dados.
O da Vinci 5 possui uma capacidade computacional significativamente maior que a geração anterior. Além disso, já recebeu novos recursos voltados à análise e ao acompanhamento da atividade cirúrgica.
Dessa forma, estamos diante de uma mudança importante. O robô deixa de ser visto apenas como um equipamento que reproduz os movimentos do cirurgião.
Na prática, estamos falando de uma plataforma capaz de ampliar progressivamente as informações disponíveis. Isso ocorre tanto durante quanto depois de um procedimento.
O que eu trouxe para a prática
Talvez o principal aprendizado do Da Vinci 360 LATAM não tenha sido uma tecnologia específica.
Na verdade, foi compreender ainda melhor que a evolução da cirurgia robótica depende de três elementos. São eles: tecnologia, treinamento e tomada de decisão.
A programação do evento trouxe discussões sobre formação de cirurgiões, certificação e desenvolvimento de novos profissionais. Também abordou a expansão dos programas robóticos e a incorporação de novos procedimentos.
Além disso, foram discutidos temas como produtividade, acesso à tecnologia, segurança e resultados clínicos. O futuro do ecossistema da Vinci também esteve em pauta.
Essas discussões reforçaram uma convicção que já faz parte da minha prática. Não basta aprender a operar uma nova tecnologia.
É necessário entender em quais situações ela pode ampliar as possibilidades de tratamento. Da mesma forma, precisamos compreender como incorporá-la com segurança.
Como instrutor, essa responsabilidade é ainda maior.
Ensinar outro cirurgião exige atualização constante sobre a técnica. Também é necessário acompanhar novas evidências, compreender diferentes cenários clínicos e reconhecer os limites da tecnologia.
Além disso, é fundamental considerar as decisões que precisam ser tomadas antes mesmo de o procedimento começar.
O futuro da cirurgia robótica

O Da Vinci 360 LATAM também deixou claro que o futuro da cirurgia robótica não será construído apenas dentro do centro cirúrgico.
Essa evolução depende de vários fatores. Entre eles, estão a formação de novos cirurgiões, o desenvolvimento dos hospitais e a ampliação do acesso.
Da mesma forma, a troca de experiências entre instituições é fundamental. Afinal, precisamos transformar inovação em resultados concretos para os pacientes.
A programação do segundo dia também trouxe discussões sobre a expansão sustentável dos programas robóticos. Foram abordadas ainda a incorporação de procedimentos no Brasil, a inteligência artificial e a telecolaboração.
Além disso, os participantes discutiram o futuro do ecossistema da Vinci.
Por todos esses motivos, considero encontros como esse tão importantes.
A tecnologia está avançando rapidamente. Por isso, nosso papel, como cirurgiões, é acompanhar essa evolução e compreender suas possibilidades.
Mais do que isso, precisamos transformar esse conhecimento em decisões cada vez melhores.
No final, é isso que dá sentido à inovação na medicina. Uma nova tecnologia deixa de ser apenas uma novidade quando passa a contribuir, de forma responsável, para oferecer melhores possibilidades de tratamento aos pacientes.





